quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Il Oblligaccione della Felicità

Buonanotte cari lettore,

Ma che belo! Natal, Reveillon, Verão, Volta às Aulas, Carnaval...!
Quanta festa!
Não dá nem tempo de respirar, é muita felicidade! Muita alegria, muita badalação, muita beleza, muita busca do perfeito!
Pouca tristeza, porém. Pouco sofrimento, no entanto...

Será isso mesmo? Ao menos é o que retratam nossos álbuns em facebook's e afins.

Por que será que nossos álbuns de fotografia simplesmente deixam escapar os momentos de dor? Os momentos de derrota; Os momentos de pura angústia, tristeza, falha e depressão? Será que é por que eles são tão raros que, numa amostragem fotográfica, eles podem ser considerados nulos?!
Creio que não seja esta a explicação.

Ora, convenhamos, quando vemos um álbum de outrem nós simplesmente acreditamos que a vida do outro é perfeita!
Parece que nem dor de barriga aquele indivíduo perfecto sofreu! Poxa, acho, que assim como a Sandy, ela libera seus resíduos sólidos por sublimação, por que não é possível!
Caraca, só viagens fantásticas! Que lugares, que festas, que relacionamento, e como assim essa pessoa nunca está desarrumada?! Caramba, passou pela puberdade sem espinhas, sem um corte de cabelo ridículo, sem aparelho fixo e sem sapatos ortopédicos!
Ah, mas o mindinho deve ser... Opa! Erro meu! Lá está a foto do mindinho! E nem precisou de photoshop, por que aquela foto deve ter sido escolhida entre outras 150 que foram tiradas.

Ok, agora eu estou sendo hipócrita! Afinal, se checarem o meu álbum, não verão nada de diferente. Não há nenhuma foto minha chorando, da minha unha encravada ou de um momento íntimo no trono. Claro, sou bobo?! Vou querer mostrar a minha personalidade sem filtros e fraquez...

Fraquezas?!
Desde quando ser humano é ser fraco?
Talvez os nossos álbuns de fotos deveriam ser mais francos à nossa realidade. Que mostrasse as nossas vitórias, sim, mas também retratasse derrotas, momentos de fraqueza e até intimidades. Que mostrassem aquele "bad hair day" com a mesma importância que mostra o ensaio da bateria da Mangueira.

Nós temos direito à melancolia, momentos de tristeza e luto. Afinal, é daí que brota a alegria de viver. Por ver que o pior você viu, mas do pior você saiu. Essa felicidade enlatada em produtos que prometem serem perenes não é verdadeira, pois ela se vai no primeiro banho de Lua.

Abraccile,

3 comentários:

  1. Quanta profundidade, meu caro! Posso cutucar?
    Acho que as pessoas só registram momentos de alegria, no fim das contas, porque elas não precisam ser lembradas por nada externo do tanto de tristeza que passam: a maldita cabeça delas (nossa?) as lembra o tempo todo. As marcas internas da memória ultrapassam em muito o valor das imagens digitais. Melhor mesmo elas se deliciarem com as fotos do álbum no Fb do qual elas mesmas são as maiores visitadoras (afinal, ninguem vê tanto nossas fotos como nós mesmos, vamos combinar).
    Mas digo que tem outra coisa boa que a tristeza traz: criatividade. Ou você já viu alguma grande obra-prima escrita sobre a alegria de alguém, em um momento de alegria do autor? Eu não conheço nenhuma. Deixemos nossa melancolia transpirar nos nossos textos, poesias e músicas. A arte agradece! Enquanto isso, por favor, me poupe de fotos suas com dor de barriga no banheiro! :P

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  2. Yes! Comentários diretos da terra do Coala!

    Olívia, achei fantástico seu comentário. E inclusive concordo em muito com as suas idéias. Principalmente na parte que a criatividade é muito dependente da tristeza. Até músicas teoricamente alegres, como o axé (não que eu seja fã, ok?) são escritas com certa melancolia! "Não dá, não dá, pra ficar pra ficar, sem você..."?!

    Enfim, mas a parte que eu quis "cutucar" no meu post, é a nossa eterna busca pela felicidade e pela perfeição. Todos queremos viver em comerciais de maizena e queremos mostrar aos olhos alheios que assim é a nossa vida! Quando, na verdade, tudo isso é muito vazio, e você acaba se frustrando por tentar aparentar uma vida de um jeito a qual você não leva.

    Espero mais participações futuras!
    Beijos,

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  3. Sem dúvida assino embaixo da idéia central do seu post. É a cultura da nossa sociedade de hoje, sabe? Eu tenho que ser o melhor, mais bem sucedido, mais malhado, mais bonito, mais rico, e mais bem servido; minha mulher tem que ser a mais bonita, gostosa, inteligente e bem-sucedida, pra eu poder desfilá-la por aí; tenho que estar sempre feliz, todas as minhas escolhas dão certo, tudo o que tento é um sucesso, eu sou excepcional! Sabe de quando vem essa idéia? da idade média... o importante é parecer ser, e não ser! Estamos tão preocupados em parecer felizes e bem-sucedidos que não dá tempo de ser feliz e bem-sucedido de verdade...
    Agora, axé, é? sei, não é fã... Aposto que tem foto sua no Fb sendo feliz na micareta! haha :P
    Passarei sempre!
    :*

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