quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Brasiliano Coitaddi!

Snif, Snif...Chuif...Buááá...

Perdi tudo que eu tinha. Larguei tudo por esta casa, era minha vida, meu sonho...passei por cima de tudo e todos para construí-la onde me disseram ser proibido...se foi!

Tenha dó de mim! Ou melhor, cuide de mim! Não tenho para onde correr. Perdi meus familiares, meus bens, tudo! Me ajude, pois eu não tenho mais saída. Eu e meus outros milhões de conterrâneos invadimos as grandes cidade, entupimos seu sistema de transporte, saúde, educação e abastecimento, somos causadores de tragédias de grande porte, mesmo sendo avisados de que podemos causá-las, recebemos dinheiro dos impostos pagos para não fazer absolutamente nada, gastamos o mesmo, muitas vezes em cigarro e bebida, deixamos nossos filhos ao léu, mas, agora que eu sou um coitado....sinta pena de mim!

Paguei o prefeito, o vereador, o perito e o governador, e agora...tudo lama abaixo!

Tenha dó de mim. Eu e meus comparsas corrompemos, passamos por cima da constituição, lucramos com loteamentos irregulares que fizemos ser aprovados, e agora as casas que tínhamos neste mesmo local estão debaixo de uma avalanche de terra. Sem contar as pessoas que ajudamos a matar nesta catástrofe pré-anunciada! Minha família não conversa mais comigo e estou sozinho...sou um coitado, me ajude...tenha pena de mim!

HAHAHA!

Da minha televisão, aqui no meio do cerrado, eu rio de vocês! Palhaços! Se apresentam diariamente na televisão, seja em tragédias naturais, sociais ou em passeatas, eventos cívicos...rio da sua desgraça, da sua angústia, do seu desespero e da sua boa vontade! Rio da ignorância de uns e da imobilidade de outros.

Rio de vocês, que fingem que se importam, e de vocês que se mobilizam para discutir o assunto...rio de quão acima de todos eu estou, e o quão poderoso isto me faz sentir...o dinheiro que era pra ajudá-los a evitar tais catástrofes está muitíssimo bem investido no meu iate...

Coitados mesmo, são todos vocês, impotentes brasileiros! Assistindo mais uma vez a mais uma tragédia (sim, elas acontecem todo ano), se comovendo com isto, mesmo sabendo que, de todas as centenas de óbitos registrados, se as pessoas não migrassem de maneira desordenada e irresponsável, não fossem gananciosas e inconsequentes, não fossem desavisadas (estes sim, coitados) não estaríamos assistindo a mais este massacre natural.

Abracile!

2 comentários:

  1. Santtini,

    Um comentário talvez um pouco parcial, mas achei seu post genial.

    Mobilizo e sensibilizo-me com as pessoas que são vítimas deste sistema corrompido. Enraivo-me dos que lucraram com a desgraça alheia, e na frente de tudo e todos faz cara de tadinho.
    Mobilizo e sensibilizo-me com os que estão na ação da mudança. Enraivo-me de, mesmo querendo, nada poder mudar, ano que vem será igual.

    Até quando o povo brasileiro será vítima do interesse alheio?! Até quando a ganância vai ser maior que o direito sobre a vida? Até quando vai ter poucos acima da lei que riem da nossa punidade?

    Não me espanto que o Tiririca está onde está. Inclusive, agora mobilizo-me com ele, afinal, ele é justamente a personificação do nosso país: Um país de bugres, bois-tatás e muito cabresto.

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  2. Ah, e dando uma opinião para um possível futuro post/comentário:

    Realmente me sensibilizo com quem é vítima desta e de outras tragédias. Concordo que lá elas se alocam pois não tem possibilidade de ter algo melhor.

    O que me leva a pensar. Da onde ela veio?

    Olha, não sei, mas para ela viver nestas condições precárias e ainda assim estar melhor do que da onde veio, ela deve ter vindo de um lugar muito ruim, sem nenhum serviço como educação e saúde.

    Agora, já uma outra parte, creio que tem a ver com amor. Amor com a terra, amor com os vizinhos. A vida dela é ali, ali que ela nasceu!
    Por que pessoas não saem da Faixa de Gaza ou da fronteira de Israel, sendo que todo dia explode uma bomba na região?
    Por que foi lá que ela nasceu, a família dela mora lá, ela jogou peão naquelas ruas, ela conhece o padeiro há 30 anos. Ela sente amor e tem raízes por/naquele lugar!

    Então creio que seja uma situação bem delicada e, talvez, difícil de entender para nós...

    Abraccile!

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